Arquivo da categoria ‘Licenciatura’

Divulgando mais um evento:

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A décima primeira edição do Seminário de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM), intitulada Ciências Sociais em Foco: Faces do Mundo Contemporâneo, debaterá diferentes temáticas que têm inquietado os pesquisadores do vasto campo formado pelas disciplinas Antropologia, Ciência Política e Sociologia.

O evento será constituído de atividades destinadas a debater temas como as manifestações populares no Brasil hoje, o desenvolvimento econômico e as relações políticas estabelecidas pelo Brasil no contexto latino-americano, a história e a formação do pensamento social brasileiro, as relações entre o global e o local, os paradigmas do “etnodesenvolvimentismo” e possíveis contradições entre o relativismo antropológico e o universalismo desenvolvimentista. Tais debates ensejarão a realização de aprofundadas e fundamentadas reflexões, inclusive a respeito das formas pelas quais o conjunto das Ciências Sociais têm dado respostas às mencionadas problemáticas, postas pelo contexto social.

Deste modo, o evento buscará propiciar uma ampla gama de debates, que permitirá refletir acerca das contradições do mundo contemporâneo em seus diversos aspectos, ensejando a problematização a respeito da atuação do cientista social diante dos impasses e possibilidades trazidas pelas relações sociais, em suas dimensões particular e universal.

O Seminário será constituído de três mesas-redondas, uma conferência de abertura, grupos de trabalhos (GTs) e minicursos, atividades fundamentadas na proposta de estabelecer diálogos entre as diversas áreas e referências teóricas que compõem as Ciências Sociais.

Programação e informações sobre a submissão de trabalhos em:http://www.dcs.uem.br/index/?page_id=2171

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1418775738344233/?ref_newsfeed_story_type=regular

Comissão organizadora:

Eide Sandra Azevedo Abreu,
Fagner Carniel,
André de Oliveira Gerônimo,
Camila Galetti,
Eduardo Oliveira de Almeida,
Francieli Martins Batista,
Samanta Elisa Martinelli,
Rafael Adílio Silveira dos Santos, e
Stefany Ferreira Feniman

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10 de junho
18h00: Sessão solene.

19h: MESA “A Profissionalização do Cientista Social Brasileiro”.
Lejeune Xavier Carvalho (Unicamp)
Alexandro Dantas Trindade (UFPR)
Mauro Leno Silvestin (UFPR)

11 de junho
9h: MESA “Demarcação de Territórios Indígenas no Brasil: Dilemas e Questões.”
Maria Helena Amorim (FUNAI)
Ricardo Cid Fernandes (UFPR)
Thiago Moreira dos Santos (ISA)

14h: Apresentação de trabalhos.
Sociologia
Antropologia
Ciência Política

19h: MESA “Participação Política e Cyberespaço no Brasil.”
Sérgio Braga (UFPR)
Rodrigo Rossi Horochovski (UFPR)
Datafolha/Ibope

12 de junho
9h: MESA “Políticas Públicas e Juventude na América Latina.”
Maria José Resende (UEL)
Ana Luisa Fayet Sallas (UFPR)
Maria Tarcisa Silva Bega (UFPR)

14h: CINECLUBE
Filme: “The Ax Fight”
Debate: Maria Inês Smiljanic (UFPR)

19h: MESA “Relações Raciais e Expressões Artísticas.”
Geslline Braga (USP)
Milena Martins (UFPR)
Marco de Oliveira (UFPR)

13 de junho
9h: MESA “Formação Docente: para além da sala de aula.”
Rafael Bezerra (UFPR)
Cássio Esteche Brito (CELC)
Ileizi Fiorelli (UEL)

19h: OFICINAS
Patrimônio Imaterial: um campo em perspectiva.
Produção de textos acadêmicos.
Apresentação de atividade do PIBID Sociologia UFPR com xs estudantes do C.E. Leôncio Correia.

19h: A Condução Política das Drogas.
Gilberta Acserald (UERJ)
Brigida Reinold (UFRJ)
Pablo Ornelas Rosa (FASF)

14 de junho
9h: MESA “O trabalho do arqueólogo”
Laércio Brochier (MAE/UFPR)
Sady Carmo Pereira Jr (UFPR)

14h:OFICINAS

Patrimônio Imaterial: um campo em perspectiva.

Produção de textos acadêmicos.

19h: ENCERRAMENTO.
Festa no DCE.

Se os números não mentem, confirma-se a cada dia que a profissão de professor no Brasil goza do mais alto desprestígio em toda sua história. Pesquisa da Faculdade de Educação da USP – Atratividade do magistério para a educação básica”, de Luciana França Leme –, recém-publicada, mostra que metade dos graduandos das faculdades de Matemática, Física e Química – mesmo sendo alunos de licenciaturas – não planeja pôr os pés numa sala de aula. Aferição similar foi feita pela Fundação Carlos Chagas, em 2009, junto a estudantes do ensino médio: só 2% desejavam o magistério.

Os dados – que não se desmentem a cada novo levantamento – servem de termômetro. Um país no qual os jovens universitários rejeitam servir à educação não tem muito do que se ufanar. Os demais países do mundo que o digam. E isso vale para nações desenvolvidas, como a Coreia do Sul, e para países em frangalhos, como Cuba, para citar duas. Em ambas, o status do professor se mantém em alta e esse seria o segredo.

Convenhamos, não se trata apenas de uma questão cultural. Fosse por esse prisma, o Brasil por certo se sairia bem. Ainda que não na prática, pelo menos no discurso, o brasileiro louva e agradece os professores que teve, ainda que afirme não querer ser à imagem e semelhança de nenhum deles. A questão é de fundo político. Não basta reconhecer os mestres, é preciso mostrar, com programas sérios, que o próprio Estado os reconhece.

Não se trata de coisa do outro mundo, nem exige gastos que arrasariam os cofres públicos. Pesquisadores de educação aqui e ali revelam que com incentivos bem calibrados, muitos sairiam da faculdade e fariam um estágio em sala de aula, irrigando essa seca danada. Pode ser um estágio de dois anos, numa espécie de período sabático, tempo em que os governos incentivariam os recém-graduados a provar o gosto do quadro-negro. Obviamente, isso não resolveria a carência de nada menos do que 170 mil professores de Ciências Exatas nas escolas de ensino fundamental e médio. Mas pelo menos serviria de estímulo à experiência, saltando dali para outros voos. Muitos ficariam ali, seduzidos pela paixão de ensinar, motivo para que tantos milhares tenham abraçado o ensino, apesar dos pesares.

É preciso ir mais longe. A pesquisa da USP, a da Fundação Carlos Chagas, a da Fundação Lemann, para citar mais uma, deveriam servir de base para uma investigação mais profunda, capaz de revelar as causas dessa rejeição a mais nobre das tarefas. Descrença na educação? Insegurança diante da exposição do professor a periferias violentas? Propaganda negativa feita pelos próprios professores? Salários? A depender das respostas, seria possível balizar o que é lenda e o que é verdade em toda essa nuvem cinzenta que ronda o ensino. Há professores agredidos nas periferias – é claro. Mas há lá também brasileiros que desenvolvem projetos de monta e fazem diferença na construção da cidadania. Uma comparação de rendimentos, do mesmo modo, serviria para mostrar que no quadro geral são muitos os ramos de atividade com ganhos módicos. O professor não está sozinho na barca do inferno.

Outro foco de investigação “da hora”, como se diz, é constatar o quanto estamos numa roda viva de oferta e procura, custo e benefício, em especial para os profissionais da área de Matemática, Física e Química. Eles são poucos em sala de aula, mas também na iniciativa privada. Nem é preciso fazer muito cálculo para saber – basta conferir a centena de programas corporativos ocupados de arrebanhar bons profissionais dados a números.

Rende uma boa conversa – a escola encontrou concorrência. E concorrência se vence fazendo contrapropostas. Cá entre nós, os governos andam trançando as pernas nesse quesito, empurrando para depois essa dívida social. Seria um belo programa – formar, remunerar e incentivar bons profissionais a incluírem a escola nos seus projetos de vida. Não se trata apenas de uma ideia bonita, tocante, patriótica, ao som do Hino Nacional. Trata-se da estratégia mais do que comprovada, usada por coreanos e cubanos, à revelia das terras, mares e dividendos que os separam. A propósito, o ministro da Educação Aloizio Mercadante jurou de pés juntos que ia resolver a falta de professores da área de Exatas. Não podemos deixá-lo esquecer.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?tl=1&id=1371788&tit=Quem-quer-ser-professor acessado em 12/05/2013.

Serão oferecidas 5 bolsas. Aos alunos e alunas de Ciências Sociais interessas é só seguir as normas apresentadas no seguinte edital: Sociologia PIBID 2013.

Grato.

O governador Beto Richa (PSDB) desautorizou a Secretaria de Estado da Educação (SEED), comandada pelo seu vice Flávio Arns (PSDB), a alterar a matriz curricular das 2,1 mil escolas paranaenses a partir do ano que vem.

 

Pressionado pela comunidade escolar, que saiu às ruas das principais cidades do estado, o tucano voltou atrás. A proposta de mudança no currículo, sem debates, uniu “gregos e baianos” contra o governo.

O recuo do governador significa uma importante vitória dos professores paranaenses, que se opuseram à redução de disciplinas como filosofia, sociologia, educação física, artes, dentre outras, para ampliar as de matemática e português. Eles acusam o governo de planejar uma“jogada de marketing a custas da qualidade do ensino público”.

“A opção por manter a matriz curricular do Ensino Médio vai permitir que haja tempo no decorrer do ano para discutir o assunto com todas as instituições interessadas”, justificou Arns.

A próxima bronca que Beto Richa enfrentará, já no próximo sábado (15), é sobre a implantação de 33% da hora-atividade prevista na Lei do Piso aprovada em 2008. O governador ainda não cumpriu a promessa feita na campanha. Os educadores realizam assembleia no final de semana para aprovar greve no início do ano letivo de 2013.

 

Fonte:http://www.esmaelmorais.com.br/2012/12/pressionado-richa-recua-e-desiste-de-mudar-a-matriz-curricular-das-escolas-do-parana/

 

A/C Secretaria de Estado da Educação do Paraná
meroujycavet@seed.pr.gov.br
C/C Direção Estadual da APP-Sindicato
gabinete@app.com.br

Exmo Secretário de Educação do Paraná Srº Flávio Arns
Exma Srª Meroujy Cavet, Superintendente Educacional da SEED-PR

É com profunda preocupação e indignação que nós, professores e professoras do Colégio Estadual do Paraná recebemos a notícia da proposta de alteração da matriz curricular para 2013 anunciada pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná o que implicará a redução de aulas de várias disciplinas dos currículos do ensino médio e fundamental.
Reafirmamos a defesa da autonomia pedagógica das escolas na definição do currículo e nos posicionamos contrários a medidas que questionem essa autonomia.
Entendemos que não há áreas de conhecimento que se sobrepõem sobre outras, como se entre os saberes houvesse naturalmente graus de maior e de menor importância. O que está em questão é uma concepção mais ampla de currículo que deve propiciar ao aluno(a) um conhecimento diversificado sobre os saberes produzidos historicamente pela humanidade, permitindo-lhe a possibilidade de desenvolver sua autonomia intelectual, sua formação crítica. Defendemos uma concepção de educação emancipadora, que eduque para o exercício pleno da cidadania e da vivência, com o respeito à diversidade e à alteridade.
Somos contrários às visões tecnicistas de educação que se pautam em instrumentos de avaliação educacionais (como o IDEB e o SAEP) que se tornam o fim e não o meio, um fim aliás punitivo contra os professore(a)s. Pressões por notas caem nas costas dos professore(a)s e nada é feito para se mudar as condições de trabalho como o não cumprimento dos 33% de Hora-Atividade, a não redução de alunos por turma e o baixo investimento e incentivo na qualificação do professor(a).
Não aceitaremos passivamente qualquer redução no número de aulas, pois isso implica em piorar as condições de trabalho com mais turmas/alunos e deslocamentos para o professor(a), menos tempo ainda para preparação de aulas. Nenhuma disciplina deverá ter menos de duas horas-aulas semanais.
Repudiamos também a proposta divulgada pela SEED que defende a exclusão da disciplina de inglês em dois anos do ensino médio, repudiamos a redução para apenas uma aula de sociologia e filosofia e a redução das aulas de artes no ensino médio, repudiamos a redução de aulas de história, geografia, ciências e educação física no currículo do ensino fundamental.
O que defendemos é que o conhecimento interdisciplinar é produzido a partir dos referenciais epistemológicos de cada professor e disciplina, e que não há uma hierarquização entre disciplinas no currículo escolar. Consideramos que a SEED deva aumentar a matriz curricular para 30 horas semanais em todos os colégios como já ocorre no Colégio Estadual do Paraná.
Portanto, somos contrários a proposta de matriz curricular no ensino médio e fundamental divulgada pela SEED-PR.
RESOLUÇÃO APROVADA POR UNANIMIDADE PELOS PROFESSORE(A)S EM REUNIÃO NO COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, NO TURNO DA MANHÃ E NO TURNO DA TARDE.
Curitiba, 26 de novembro de 2012.

Exmo. Vice-governador e Secretário da Educação no Estado do Paraná Flávio Arns Secretaria de Estado de Educação do Paraná Curitiba Av. Água Verde, 2140 – Sala 211 Bairro Vila Izabel CEP 80240-900– Curitiba – PR

 

Assunto: Qualidade na educação pública paranaense, equidade na Matriz Curricular no Ensino Médio na rede pública no estado do Paraná.

 

Exmo. Secretário Flávio Arns O Coletivo de Professores (as)de Sociologia e de Filosofia da Região Norte do Paraná, bem como orientadores(as) de estágio e de Metodologia de Ensino na área de Ciências Sociais e de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina ,agrega professores(as) de Sociologia e Filosofia das escolas estaduais de mais de 25 municípios do Norte do Paraná e também professores(as) de Metodologia do Departamento de Ciências Sociais e de Filosofia da Universidade Estadual do Paraná , vem através deste documento solicitar do Senhor uma atenção especial para o que vem ocorrendo na educação pública do Paraná no que diz respeito a mudança de matriz curricular. Temos acompanhado os pronunciamentos públicos da Superintendente da Educação, Meroujy Giacomassi Cavet, onde tem afirmado que é preciso aumentar aulas de Língua Portuguesa e de Matemática, e recentemente o Senhor afirmou na Agência Nacional de Notícias que “está sendo promovido um amplo processo de discussão com a comunidade escolar assim como consulta pública com professores(as) e estudantes para iniciar o ano de 2013 com uma proposta de matriz curricular unificada nas escolas estaduais”. Estamos dentro das escolas estaduais, dentro das universidades, portanto, na sociedade, e afirmamos que não fomos consultados(as) sobre mudanças na matriz curricular. Será que está se referindo a consulta pública online? Esta não foi verdadeiramente democrática e não atingiu com certeza toda a sociedade. Mas vamos aos fatos…Senhor Secretário Flávio Arns, uma das escolas que tem os maiores índices de desempenho nas avaliações internas e externas é exatamente uma escola pública que trabalha com a equidade disciplinar desde 2007, que é o Colégio Estadual Professor José Aluísio de Aragão, localizado no Município de Londrina, conforme demonstrado em anexo. Esta escola obteve a 5ª melhor nota do ENEM no Estado do Paraná, a 2ª melhor nota no mesmo exame no NRE Londrina em 2010 e a primeira melhor nota na referida avaliação nacional em 2011 no NRE, destacando-se também em várias avaliações nacionais e estaduais, como por exemplo, nas Olimpíadas de Matemática .E mais, as disciplinas de Sociologia e Filosofia, além de serem garantidas pela Lei Nacional nº 11684/08, são, de acordo com as atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio – Parecer CNE/CEB nº 5/2011, aprovada em 04/052011-, parte das dimensões estruturantes do Ensino Médio, a saber: ciência, tecnologia, cultura e trabalho. Também se pode verificar nas DCN’s que as disciplinas de Sociologia e Filosofia fazem parte da base nacional comum, já definida pela LDB/, carta magna da Educação e por outras leis específicas, como componentes curriculares obrigatórios que integram a área de conhecimentos das Ciências Humanas e que, portanto, os estados, inclusive o estado do Paraná, devem “garantir ações que promovam a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; e a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania”(DCN’s/2011, p. 48), ficando somente a definição da parte diversificada do currículo para os estados e para as escolas. Tais ações devem ser orientadas sob a perspectiva das dimensões do trabalho, ciência, tecnologia e cultura e devem formar um eixo integrador entre os conhecimentos de distintas naturezas, promovendo a reflexão critica sobre os padrões culturais que se constituem em normas de conduta de uma sociedade. Daí, entre tantas outras, justifica-se a relevância das disciplinas de Sociologia e Filosofia nos currículos e a unicidade entre as dimensões cientifico-tecnológico-cultural .Assim, este coletivo acredita que muito mais do que preparar para a cidadania, as disciplinas de Filosofia e de Sociologia contribuem para o enriquecimento de um olhar mais diferenciado sobre a realidade social, para a descoberta de como a vida humana é perpassada por forças nem sempre visíveis – por simples pertença a um grupo social, com sua identidade, posição, símbolos e recursos de poder, na descoberta da participação numa teia de relações, na compreensão de como a realidade de cada estudante está relacionada à linguagem, aos gestos, às atitudes, aos valores, à posição do/a mesmo na estrutura social. Ensinar Sociologia e Filosofia é, antes de tudo, desenvolver uma nova postura cognitiva nas pessoas. Eis o aspecto humano essencial dessas disciplinas, já referendados nas Orientações Curriculares Nacionais de Sociologia e Filosofia para o Ensino Médio de 2006 e agora nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio de 2011. Portanto, o Coletivo de Sociologia e de Filosofia do Norte do Paraná considera lamentável a posição da Secretaria quando divulga apenas a necessidade de aumentar carga horária de Português e Matemática – o que pode contribuir para a qualidade da educação – e em documentos não publicados propõe a redução dos conteúdos de nossas disciplinas – o que prejudica a qualidade da educação, precariza ainda mais as condições de trabalho da categoria e ainda contradiz as DCN’s no que se refere à construção coletiva dos currículos (p. 40), nas perdas das muitas conexões existentes entre determinada ciência e as demais (p. 43) e, especialmente, na questão de evitar as superposições e lacunas, “sem fazer reduções do currículo, ratificando-se a necessidade de proporcionar a formação continuada dos docentes no sentido de que se apropriem da concepção e dos princípios de um Ensino Médio que integre sua proposta pedagógica às características e desenvolvimento das áreas de conhecimento” (p. 44). Desse modo, o Coletivo pretende defender uma educação que possibilite a emancipação e o desenvolvimento da criticidade dos/as estudantes. “Não é a possibilidade, apenas, da retirada das aulas que nos incomodam. O que incomoda é a compreensão de uma perspectiva educacional tacanha e medíocre, na qual o estudante é adestrado/a, treinado/a para a indústria capitalista” (conforme consta no site da www.appsindicato.org.br). Portanto, a preocupação deste coletivo é com a consequência pedagógica de se ter uma única aula de Sociologia e uma única aula de Filosofia por semana, interferindo no direito fundamental dos/as estudantes em ter acesso ao conhecimento produzido historicamente pela humanidade e aumentando a dificuldade de se trabalhar os conteúdos com alunos/as de Ensino Médio em um período tão reduzido e limitado, sobrecarregando ainda mais o trabalho docente. Sabe-se que, nos últimos anos, estudantes da rede pública têm demonstrado baixo rendimento em Matemática e Língua Portuguesa em todo o Brasil, mas, analisando os dados do Estado de São Paulo, que até o inicio de 2012 manteve em sua matriz curricular apenas uma aula de Sociologia e uma de Filosofia em cada série do Ensino Médio, percebeu-se um rendimento menor ainda nos conhecimentos de Matemática e de Língua Portuguesa, segundo dados publicados na Folha de São Paulo do dia 07 de março de 2012, pois, entre os estudantes que estão saindo do Ensino Médio, “58,4% tiveram desempenho considerado abaixo do básico em Matemática e apenas 4,2% deles têm conhecimento adequado para a série. Em Português, 37,5% dos alunos do 3º ano aprenderam abaixo do básico. Já 38,4% têm conhecimento só do básico da disciplina.” (Inserido emhttp://www1.folha.uol.com.br/saber/1058527-58-dos-alunos-saem-do-ensino-medio-sem-saber-matematica-em-sp.shtml, acessado em 08-03-12). O aumento das aulas das disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa (não respeitando a equidade entre as disciplinas), não contribuiu para que os/as estudantes daquele estado obtivessem um bom rendimento nas avaliações externas e internas, levando o governo de São Paulo a adotar uma matriz curricular com mais equidade entre as disciplinas e áreas de conhecimentos. A resolução nº 81/2011, publicada em 21 de dezembro de 2011 da SEE-SP, garante 2 aulas semanais de Sociologia e Filosofia a partir de 2012. O cenário apresentado reforça a ideia que a equidade entre as disciplinas se configura como um dos fatores que pode contribuir para a melhoria da qualidade do ensino público e a consolidação da democracia. O aumento do investimento público na educação, a melhoria da infraestrutura das escolas, o desenvolvimento de políticas de formação continuada dos professores/as, a valorização dos profissionais da educação, são outros fatores que devem ser considerados na luta pela melhoria da qualidade da educação básica. Cabe destacar ainda que este processo não se reduz exclusivamente ao campo da educação. Melhorar a qualidade da educação significa desenvolver políticas públicas que enfrentem a grande desigualdade social do nosso país. Senhor Secretário, entende-se que quando se falamos índices do IDEB e se propõe qualquer alteração curricular ou estrutural no âmbito da organização do Ensino Médio, é preciso se atentar para o Capítulo II da Resolução Nº 2 de 30 de Janeiro de 2012, que define as DCN’s para o Ensino Médio, na qual se afirma que a concepção de educação e formação das pessoas na etapa final da Educação Básica é um direito subjetivo, um direito humano e que a ciência é conceituada como um conjunto de conhecimentos sistematizados, produzidos socialmente ao longo da história, na busca da compreensão e transformação da natureza e da sociedade. Esta mesma concepção está na Constituição Federal desde 2009 (Emenda Constitucional nº 59/2009) e implica na obrigatoriedade da oferta pública, gratuita e com qualidade social do Ensino Médio pelo Estado, além de um compromisso de toda a sociedade no sentido da garantia desse direito constitucional. O que se pode depreender de toda legislação hoje existente no país, inclusive a instrução nº 021/2010-SUED/SEED do Estado do Paraná é que a formação do sujeito do Ensino Médio exige um corpus de conhecimentos e práticas que estão para muito além da responsabilidade que as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática assumem no currículo escolar. Além de não aprovar qualquer parecer que diminua aulas de quaisquer disciplinas na matriz curricular, o Coletivo considera essa política de matriz curricular única um retrocesso que deve ser reanalisada antes de sua homologação em conjunto com os educadores; um retrocesso frente à proposta das DCN’s para o Ensino Médio, que dão ênfase à “interdisciplinaridade e transversalidade como constituidoras dos caminhos facilitadores da integração do processo formativo dos estudantes e que, juntas, rejeitam a concepção de conhecimento que toma a realidade como algo estável, pronto e acabado”; e, por fim, um retrocesso pelo que almeja, ou seja, aumentar os índices do IDEB, mais uma vez contradizendo as orientações das DCN’s, que afirmam que a “unidade nacional deve ser buscada para orientar as aprendizagens comuns a todos no país, nos termos das Diretrizes” e que estes são alvos que “devem ser constituídos por expectativas de aprendizagem dos conhecimentos escolares da base nacional comum que devem ser atingidas pelos estudantes em cada tempo do curso de Ensino Médio, as quais, por sua vez devem necessariamente orientar as matrizes de competência do ENEM” (p. 48), que são Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas e não apenas, como na avaliação do IDEB, Português e Matemática. O Coletivo ainda leva em consideração as manifestações dos estudantes no estado do Paraná e, especificamente de Londrina, que têm como uma de suas reinvindicações a não diminuição de aulas de Sociologia e Filosofia (ver matéria publicada pela RPC, do dia 06/10/2012 – Estudantes secundaristas e universitários fizeram protesto por melhorias na educação- no endereçohttp://g1.globo.com/videos/parana/paranatv-edicao/t/edicoes/v/estudantes-secundaristas-e-universitarios-fizeram-protesto-por-melhorias-na-educacao/ 2173528/), sendo que, no mesmo dia, também foi entregue na prefeitura de Londrina e no Núcleo Regional de Ensino de Londrina um documento(em anexo)com as mesmas reinvindicações .Por fim, o Coletivo solicita também que a Secretaria aponte propostas para a diminuição da violência que afeta as escolas ,para a garantia da permanência dos(as) estudantes na escola, o cumprimento da lei do PSPN(Piso Salarial Nacional) pelo governo estadual e gestores municipais, o cumprimento do aumento da hora atividade conforme lei nacional, a diminuição do número de alunos e alunas por turma ,a efetivação de uma política de formação continuada conforme PCCS do magistério do Paraná, o debate amplo do ensino blocado, entre outras reivindicações coletivas já historicamente pautadas pelos profissionais da educação neste estado que de fato contribuam para uma educação de qualidade e democrática. Desse modo, o Coletivo encerra com uma citação de suma relevância das DCN’s (p. 09), que expressa uma ideia que deve ser objeto de reflexão de todos os interessados pela educação e também compartilhada: “A escola, face às exigências da Educação Básica, precisa ser reinventada, ou seja, priorizar processos capazes de gerar sujeitos inventivos, participativos, cooperativos, preparados para diversificadas inserções sociais, políticas, culturais, laborais e, ao mesmo tempo, capazes de intervir e problematizar as formas de produção e de vida. A escola tem, diante de si, o desafio de sua própria recriação, pois tudo que a ela se refere constitui-se como invenção: os rituais escolares são invenções de um determinado contexto sociocultural em movimento.”

 

Na expectativa de obtermos retorno, estamos à disposição. Atenciosamente,

 

COLETIVO DE SOCIOLOGIA E FILOSOFIA NORTE DO PARANA